sábado, 26 de setembro de 2009

Oreiller

I.
Travesseiro - microfone - papagaio.
O mesmo nome.
O mesmo nome.
O mesmo nome.

II.

Travesseiro - toca-fita - aperte o play!
Para a esquerda
Rewind
Para a direita
Remind.


III.
Travesseiro - videotape - sem - funçao.
é encostar a cabeça,
e cada noite
roda sempre
o mesmo filme.

domingo, 20 de setembro de 2009

Contre-classique

Baudelaire
Rimbaud
Verlaine
Valéry

Oubliez!

Ce-ci
n'est pas
de la poesie
en français.

Ce sont
seule-ment
des mots
sans sens
dans la langue
de l'âme.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Carta ao editor (versao em português)

_____________,

(....)

Eu voltei a escrever

[(mas) o revisor nao entende
o senhor nao publica
o publico nao lê (mais)]

na minha lingua.

(...)
_____________.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Gonzaga, pardonne-moi.

Il y a un sabiá
Jusqu'en bas
de ma fenêtre

Il est là et Ele lá
toutes les matins.

Il y a un sabiá
Jusqu'en bas
de ma fenêtre

Eu cá e Ele lá
depuis des semaines.

Il y a un sabiá
Jusqu'en bas
de ma fenêtre

Lá lá lá... ici et acolá.

(Gonzaga, pardonne-moi:
Mas aqui os sabiás
cantam à anunciar
que o tal amor en-fim
ne reviendra pas).

domingo, 13 de setembro de 2009

Le vague

Le jour du onze août
Il y a eu un grand orage
C'est que des larmes de tout mon corps
Ont desséché mon cœur en sable
Une seule et triste vague
m'a inondé par les contours
Je suis de nouveau devenue:
Ile flottante - détachée du monde.

sábado, 5 de setembro de 2009

Partida

Parte da ida.
Destination inconnue.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Café do amanhã

Enrolada.
Pouco desperta.
Envolvida pelo calor
sem brechas
de minha coberta de lã.
Hoje acordei
com vontade
de comer a manhã.
E esconder-me do mundo.
Mas alarmado
meu criado
sempre mudo
vociferou minha covardia:
- Levanta, menina,
que já é dia!,
e tanta coisa te espera.
Vai, pendura
tuas palavras
na janela!
Encena a tela,
pinta o verso,
quebra o ritmo!
Faz o atípico
- sentido diverso
de tudo que insiste.
E vê se deixa
de ser triste
sem porquê!
Que lá fora
foi-se embora
toda grafite!,
E sobre a mesa
Só agora
O que existe
É o café.
É o jornal.
É uma maçã.