quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Acolhida

Seu colo cura todo calo
Cala toda culpa
Cola cada caco

Seu colo cai do céu
Com todo cuidado
No canto de um quarto
No cheiro da chuva.

sábado, 26 de novembro de 2011

Ela que era
três números maior
do que sua alma usava
Já não cabia mais em si
De tanta felicidade.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Manicure

Removendo camadas entendeu
que às vezes não é preciso ver o sangue
para sentir a ferida.

domingo, 25 de setembro de 2011

Termos-tato

seu toque equilibra
as pontas frias dos meus dedos.

domingo, 11 de setembro de 2011

Direção

Conduzia pelas ruas
Como levava a sua vida
E com o pé na embreagem
Antecipando freadas
Percorria longos caminhos
em ponto morto.

sábado, 10 de setembro de 2011

Portanto II

"Amar é um verbo que não suporta o imperativo"
Mas aceita gentilezas,
E se constrói no gerúndio.

domingo, 7 de agosto de 2011

Portanto I

O amor
não é
supor
repor
transpor
depor
impor.

O amor
é
simplesmente
por favor.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Rouge à lèvres

Neste inverno
seu batom vermelho
é para aquecer as palavras
e contornar os suspiros.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Pré-historia

Ha dias em que a mão escrava
Escreve e escava
cimentos secos
resíduos sólidos
arquivos mortos

E cravando suas garras
la no fundo
Desenterra segredos
moribundos
Removendo
todo o entulho de palavras.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Telefone sem fio

Telefone sem fio:
Cortaram a linha
Contaram segredos
Inventaram palavras
(Ao pé do ouvido)
E para abafar o zunido
Que vinha dos outros
Colaram os rostos
Em sinal de ocupado.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Arretado

Eu corria tão fora de forma
Tentando chegar na plataforma
Antes do apito final

Quando eu te vi -
meu bem! -
Percebi que essa
Não era a minha linha!

Mas o aperto do trem
Me fez virar sardinha

E eu só fui descer
no terminal.


* Parodia de/para a própria autora! rs.
Ver "N'arrêt", de 18 de julho de 2009:
http://golpesdegrafite.blogspot.com/2009/07/narret.html

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Surpris

He might be
N'importe qui

Em cada viela
Ela espia as janelas
E sorri.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Lamaçal

Silêncio que ecoa
No fundo do poço
E no topo do corpo
O olho oco
Sem sentido
Sem brilho
Sem outro
Reclama desgosto
E esvazia o lodo
Acumulado na alma.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Patética

"Precisamente a palavra paciência deriva do verbo latino pati, que significa padecer".


In: A paciência. Francisco Faus - Ed. Quadrante.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Chamado



A arte do advogado
é puxar o tinteiro para o seu lado
e fugindo (do tema)
tentar resolver o problema
fazendo o bico (da pena)
penar
em lhe alcançar.


sábado, 22 de janeiro de 2011

Encore

Partout son corps
encore
Une légère fièvre rouge
La chaleur d'étincèles qui brulent:
feu de Saint Jean.

Partout son corps
encore
Une douce ivresse d'hiver
Les ailes des regards qui se mêlent:
bisous de papillon

Partout son corps
et au cœur
Une faiblesse sublime
Au son de leur sang qui circule:
tremblement de l'âme.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011



O Deus que deu-se
não disse
a-deus.