sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Solitudes

I .
Falar sozinha
é trazer a lingua
do meio do peito.
E no meio do aperto
(do metro lotado)
(do supermercado)
(da fila do caixa ao lado)
Ausentar-se do centro
da atençao comedida
E expor sem medida
aos olhares dos outros
que sabe tao pouco
quem nao escuta
a voz da alma.

II .
Cantar sozinha
nao é nenhum
trauma de infancia
(ou sinal de inconstancia)
(de problema de ouvido)
(de falta de amigo).
Tralalar por ai
batucando nos dedos
é contar os segredos
guardados consigo
para ajudar os sentidos
a encontrar sua dança.

III .
Chorar sozinha
é uma chuva so minha
que nao respinga
em ninguém.
(No caminho do trem)
(do amor que nao vem)
(da falta do bem)
Faz molhar toda a rua
E a barra da roupa.
Deixa a tristeza solta
para ir mais além.
Chorar sozinha
é lembrar da sombrinha
nos dias de sol.


* Ja que, pelo visto, ando falando sozinha até nesse blog! rs

sábado, 25 de outubro de 2008

801S

Ato I

Voce e eu,
nada de à primeira vista.
Nem mesmo uma pista
De trejeitos de amor.
Eu te encontro
(nem um pouco pronto)
no sufoco dos dias corridos
E decido assim, comigo,
Sem mais
saber ao certo
O que eu busco.

Ato II

Voce e eu:
começo brusco.
Com tanta coisa
Acumulada no peito,
De olhos fechados
(Ofuscando defeitos)
Eu me esparramo
(como um pano!)
Sobre ti.

Ato III

Voce e eu:
tudo o que de pronto
eu nao vi.
Vou conhecendo
Pouco a pouco
Seus pedaços
Ocupando cada seu
Pequeno espaço.
Vou tocando
Cada canto
Que ha ali.

Ato IV

Voce e eu:
Descobrindo maneiras.
Removendo poeiras.
Varrendo a sujeira
(para longe do tapete!).
Voce e eu redecorando
Os nossos modos.

Ato Final

Voce e eu:
Formado o par.
Voce é meu e eu, enfim,
Ouso chamar-te
De meu lar.



* Sinto pela falta dos acentos!
E pelo trocadilho sem graça... rs.
Queria é saber se alguém ainda passa por aqui e apresentar, aos resistentes, minha nova casinha lyonais!
* Bom... a foto nao carrega de modo algum! Fica apenas o texto por enquanto!