Seu Eduardo

Eu conheci seu Eduardo no dia do aniversário dele. Era uma noite qualquer, quando parei para comprar uma coisa qualquer, voltando de um compromisso qualquer.

Mas, era o aniversário dele. E ele estava sentado na porta do Oba pedindo um prato de comida, com um jeito gentil e bondoso, um olhar quase infantil.

Ele ganhou uma pequena celebração, com janta, refrigerante e um pudim no lugar do bolo. Foi assim que nos tornamos próximos.

Depois de algum tempo eu recebi uma notícia  ruim, que fez muita coisa em mim desabar. Foi nesse desaguamento que, ao chegar em casa, eu encontrei o seu Eduardo mais uma vez na porta do Oba. Ele se enterneceu e me deu um abraço. O abraço que eu precisava naquele momento. E foi ele quem primeiro me disse, com calma e confiança: - menina, eu não sei o que é, mas vai ficar tudo bem.

As meninas conheceram o seu Eduardo, ele conheceu as meninas. Ele virou para elas o senhor que cuidava da florzinha que demos para ele um dia, a pessoa para quem comprávamos um picolé a mais, e aquele que sempre nos recebia com um sorriso largo, ainda do outro lado da rua. Foi assim que ele se tornou um cotidiano em nossas vidas.

Depois, de um dia para o outro, seu Eduardo sumiu. Não estava mais lá nos horários de costume, outras pessoas passaram a ocupar a porta do Oba em busca de alguma ajuda. Muitas vezes pensei em perguntar sobre ele para algum funcionário, ver se tinham um contato, se sabiam o que tinha acontecido. Me preocupava e me entristecia não ter notícias dele.

Hoje, depois de alguns meses, voltando tarde da noite para casa, depois de um compromisso incomum, em uma plena segunda feira, eu desci do onibus e esbarrei com o seu Eduardo na porta do Oba, já fechado.

Ele estava pegando as coisas dele para descer a rua quando me viu e chamou: -  menina!. E me contou que estava indo embora de São Paulo. À meia noite, dessa mesma noite, ele embarca para a Bahia.

Demos um abraço como se despedem as pessoas que sabem que participaram de momentos importantes da vida um do outro. Foi assim que tive a certeza de que nenhum caminho se cruza por acaso. 

Comentários